quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Para o Lenhador

A ti, armado de machado e coração
Pedindo que Alice não seguisse essa trilha
Mas Alice na escuridão ia...
Não levava cesta, nem migalha de pão.

Alice incauta pra casa da bruxa ia...
E o Lenhador aflito Alice seguia,
A defendê-la da treva ele apenas tinha,
Um machado afiado que na escuridão reluzia...

Derrubava porta, adentrava casa...
Quanto mais em vão o machado usava,
Tanto mais ele via que se estragava...

E por culpa de Alice que nunca vinha,
perdida na mata, na escuridão,
partiu mais que tronco, partiu uma linha
partiu duas vidas e o seu coração.

domingo, 2 de janeiro de 2011

10 minutos do meu dia

Quem na cegueira tateou o barro frio
Pra aplacar a sede em  fonte deletéria
Que alimenta a água turva desse rio
Onde banham-se os seres na miséria.

Quem na dor viu sua sorte abandonada
E na calçada suas horas, se esgotando...
É quem teve para sempre a voz calada,
Pra alegrias, melodias e acalantos.

Alguns sentem quando enfim eu sentencio:
 Não morrem mais, já são cadáveres!
Outros riem-se, desdenham do que eu digo,
Afirmando que eles todos são meus pares.

Implacáveis, predizem meu destino.
E eu atônito fico...
Observando as sombras.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Prece

A saudade é um castigo e mereço, espero que isso me deixe forte, imploro que a fonte do meu desejo...
Se esgote.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

22 dias

Autômato de carne.

Se alguém quiser trocar a sua tranquilidade pela minha inconstância, eu aceito já.
Há quem diga que sim, há quem diga que não, o fato é que a credulidade e a confiança alheia são sentimentos quase inacessíveis. Não vale a pena pedir, não vale a pena lutar por eles, nosso gênero está fadado à superficialidade e ao imediatismo. Não é o niilista falando, é uma comprovação, você que já errou bastante vai entender, você que é ladrão, você que é homicida, você que não tem vergonha ainda vai encontrá-la nos olhos daqueles que lhe são caros. Um conselho pra todos os que caem : procure cair sozinho e quando o fizer não chore, não lamente pois o pranto ecoa pelas paredes e se acaso ele ganhe a  janela e invada a rua, é bom lembrar que no deserto das gentes só vivem surdos.
Desistir? Não, buscar ombros conhecidos? Não. Ninguém calça o teu sapato, dizem que lamentam por você e que sentem muito. Não sentem nada.
E como poderiam? Eu mesmo sou um robô.
Disse que estava buscando a redenção e estou, pena que os ingressos para o curioso espetáculo do meu retorno ao mundo dos vivos já se esgotaram. Tive que comprar todos os números, sou eu e o que ecoa...